Adubação e Bonsai – Parte II

Adubação química: É uma adubação mais rápida e eficiente, principalmente os adubos foliares, pois são misturas de sais solúveis em água que uma vez aplicados são rapidamente assimilados pelas plantas.
Neste tipo de adubação, é importante observar primeiramente, a composição do adubo que desejamos utilizar, ou seja, a proporção dos nutrientes principais (N, P e K) de acordo com o objetivo de quem cultiva e/ou as necessidades da espécie cultivada. No mercado é comum encontrarmos adubos com suas formulações em evidência, como por exemplo: 04 14 08 que corresponde a 04% de nitrogênio(N), 14% de fósforo(P), 08% de potássio(K). Essa formulação, conforme podemos constatar na tabela acima, é ideal para induzir a floração e frutificação. Já um adubo com a formulação 10 10 10 é utilizado em plantas ornamentais ou em casos em que se deseja um crescimento equilibrado e não tanto floração ou fruificação. E ainda, um adubo 15 00 00 já é o extremo do primeiro exemplo e seu uso é indicado quando se deseja um crescimento intenso e acelerado.
Outro aspecto muito importante nessa adubação é a estrutura física do adubo, se é líquido, sólido, granulado, se é aplicado diretamente na planta ou diluído em água, se é foliar( pode ser aplicado por pulverização diretamente nas folhas, procedimento que se for utilizado deverá ser feito preferencialmente ao anoitecer ou bem cedo pela manhã) , etc. Nesses casos é fundamental ficar atento aos rótulo do fabricante, e utilizar o produto de acordo com as especificações nele contidas e tomar muito cuidado com os excessos, principalmente no caso do Nitrogênio (N), que pode até causar a morte da planta.
O segredo está na regularidade, equilíbrio e variedade, Quanta mais regular e variada a adubação melhor, pois um adubo supre as deficiências do outro.
Adubação orgânica: a adubação orgânica diferencia-se da química por ser de liberação mais lenta, tendo em contrapartida uma ação mais prolongada, além de favorecer a formação e estruturação da micro fauna (fungos e bactérias) normal do solo. Estes adubos são produzidos a partir de elementos naturais (mais exatamente, por meio da decomposição de matéria de origem animal, vegetal ou mineral). Torta de mamona, torta de algodão, farinha de osso, farinha de peixe, farinha de sangue, calcário, cinza de madeira são alguns exemplos. Esta adubação pode ser feita de várias maneiras. Pode ser realizada no momento do preparo do substrato para o plantio, através da incorporação de matéria orgânica. Outra, denominada adubação de cobertura, é realizada através da aplicação do adubo orgânico na superfície do solo no vaso ( é mais utilizada no cultivo do bonsai).. Existem algumas formulações comerciais específicas para bonsai disponíveis no mercado, porém a maioria dos produtos é importada, como o Biogold e o Rapeseed, ambos fornecidos na forma de pellets. Como opções caseiras temos varias formulações, a receita abaixo é uma ótima opção e você pode turbiná-la ou muda-la, de acordo com seu objetivo ou com o que você encontra com mais facilidade em sua região:
- 750g. de torta de mamona ou torta de algodão
- 250 g de farinha de osso
- 250g. de cama de galinha (ou 100g de esterco de galinha puro)
- 100 ml de óleo de peixe (ou óleo de fígado de bacalhau)
- 100ml de algum adubo foliar líquido (ou 100g. de adubo químico em pó)
- 200 a 300g. de farinha de trigo ou Maisena ( pra dar liga)
Misturar os componentes e adicionar água até atingir uma consistência pastosa. Você pode fazer bolas ( tipo pão de queijo) ou colocar em bandeja e cortar em quadrados, deixando secar a sombra. Esta formulação tem duração média, após aplicada, de 30 dias e fica pronta pra uso depois de uma a duas semanas depois de manipulada.
Para a adubação orgânica de cobertura, o intervalo ideal entre aplicações é de 30 dias (aqui no viveiro esse adubo é utilizado 2 veses ao ano). Para plantas em formação é utilizado uma maior quantidade de adubo, com o objetivo de promover um desenvolvimento mais acelerado, ao passo que para árvores formadas utilizaremos apenas o necessário para suprir suas necessidades de manutenção.

Uma regra que funciona, com certeza, é a de se usar uma adubação a mais variada possível, intercalando adubos orgânicos e químicos. Como na nossa alimentação, quanto mais diversificada a adubação melhor. Existem muitos adubos à nossa volta que simplesmente nem os notamos. É o caso da borra de café, por exemplo, que trata-se de um excelente estimulante vegetal e a jogamos no lixo. Basta usarmos a criatividade e observação que com certeza temos inúmeras opções de adubação bem regionais, baratas e fáceis à nossa volta.
Além disso, respostas à adubação podem influenciar aspectos diretamente ligados à aplicação de técnicas. Se for usado adubo demais, provoca-se um desenvolvimento acelerado, o que, no caso do bonsai, pode levá-lo a perder sua forma planejada.

Em geral, plantas com forma bem definida e em estágio avançado de desenvolvimento precisam de menos adubo e/ou um adubo com menor percentual de nitrogênio e com maiores percentuais de fósforo e potássio . Já uma planta jovem, ainda em formação, precisará de mais adubação e/ou uma formulação de adubo com maior percentual de nitrogênio.





Maravilha de matéria Rock. Realmente muito boa, todos deveriam ler esta matéria para ter maior noção de adubação. Gostei bastante. Parabéns e continue com o ótimo trabalho. Abraços.