Proporções

Carpinus turczaninovii ( Carpinus Europeu ) de Mario Komsta. Excelente exemplo de proporcionalidade, conicidade e estrutura bem trabalhados.
Além dos aspectos botânicos do cultivo, faz-se necessário considerar que Bonsai é uma forma de arte que aspectos como proporcionalidade, forma, equilíbrio harmonia e profundidade são parâmetros tão valorizados quanto a saúde e vitalidade da planta. Nesse sentido, os exemplares mais valorizados são aqueles que apresentam o aspecto de uma árvore idosa, como junção das raízes com o tronco aparente (o nebari) bem equilibrada e distribuída ao redor do tronco, com um bom movimento no tronco e/ou conicidade (largo na base e reduzindo o diâmetro em direção ao ápice), principalmente no primeiro terço inferior do tronco (Tachiagari), galhos distribuídos simetricamente em relação ao tronco e com angulação que sugira idade( angulados como se estivem pesados para baixo sob ação da gravidade), e folhas preferencialmente pequenas.
Bougainville do Maestro Liporace.
Tudo isso confere ao bonsai um aspecto de árvore em miniatura, porém o grande atrativo dessa arte não é a simples miniaturização: é a busca do equilíbrio, da beleza e harmonia através da interação com a árvore, um ser vivo, que deve ser compreendido e respeitado. Os conhecimentos desenvolvidos pela experiência compõem um verdadeiro instrumento de comunicação, estabelecendo um relacionamento de parceria e cumplicidade entre o cultivador e o bonsai. Essa relação é a verdadeira essência da arte bonsai.

Shimpaku do Mestre Kimura, excelente proporcionalidade, principalmente por se tratar de um juníperus.
É muito importante lembrar que o bonsai é regido tanto por regras matemáticas e botânicas como pela filosofia Zen. Sua contemplação é um verdadeiro exercício de meditação que nos leva ao relaxamento e nos coloca em sintonia direta com a energia suprema através da natureza e do nosso interior. É muito profunda e mesmo sem percebermos, nos leva a exercitar e valorizar algumas virtudes que ás vezes deixamos em segundo plano. Como por exemplo, paciência, humildade, disciplina, observação, meditação, estudo e leitura e ainda respeito á natureza, à nós mesmo e ao próximo.

Goyomatsu (Pinheiro Branco japonês) Clássicio no Japão.
Proporções
Esse é um tópico muito importante na didática do bonsai, pois facilita consideravelmente o aprendizado e formação de um conceito artístico. Principalmente pra nós ocidentais que temos uma maneira bem diferente de percepção da natureza e do mundo à nossa volta.
Essas proporções foram utilizadas inicialmente pela escola japonesa e foram inspiradas pela natureza e baseadas nas árvores que impressionavam, tanto pela beleza quanto pela idade ou forma.
Assim sendo qual é o nosso objetivo? Atingir as proporções e características das árvores realmente velhas e impressionantes da natureza:

Fagus Japonês com uma ótima proporcionalidade e impreessionante estrutura.
• A altura ideal do bonsai é aproximadamente 5 a 6 vezes o diâmetro do tronco em sua base (Isso antigamente, hoje em dia há uma tendência para uma proporção mais compacta de 2 a 3 vezes o diâmetro do tronco).
• O ideal é que o tronco possua uma forma cônica marcante, ou seja, grosso na base, afinando gradativamente até o ápice. E caso tenha movimento, é interessante que ocorra no seu primeiro terço inferior (no tachiagari)
• É mais interessante que o primeiro galho esteja situado próximo no final do primeiro terço inferior do bonsai ( tachiagari).

Kaedê ( Acer Buergerianun) de German Gomez EBA2009 com excelente disposicão de galhos.
• Os galhos devem estar dispostos de forma alternada, em alturas diferentes, diminuindo de comprimento e diâmetro da base para o ápice, seguindo o seguinte padrão: se o primeiro galho originar-se do lado direito, o segundo (galho de fundo)deve ser posterior, o terceiro (denominado segundo galho) do lado esquerdo, o quarto (galho frontal) ligeiramente à frente e assim sucessivamente. A distância entre os galhos deve diminuir à medida que se aproximam do ápice.

Azalea, também do Japão, que descreve bem o tema abordado.
• O ideal é que nenhum galho deva originar-se diretamente na parte da frente do tronco, cruza-lo ou cruzar com outro galho .
• Nos troncos sinuosos é importante os galhos estejam posicionados na na parte externa das curvas.
• As raízes devem originar-se simetricamente em toda circunferência do tronco, tomando uma orientação radial (nebari).

Carpinus Europeu exposto na EBA 2009
• O ideal é que o vaso final possua comprimento correspondente a aproximadamente dois terços da altura (medida da borda superior do vaso ao ápice) ou largura do bonsai, o que for maior.
• A altura do vaso deve ser menor ou igual ao diâmetro do tronco em sua base.

Juníperus Taiwan – Maestro Liporace
Basicamente são estas as diretrizes a serem seguidas, ocorrendo algumas variações em determinados estilos (por exemplo, as regras para o tamanho e altura do vaso no estilo cascatas são diferentes, e a maioria das proporções listadas não se aplica aos bunjin). E tambem a algumas especies, como o junioerus por exemplo é totalmente aceitável trabalhá-las com uma proporcão um pouco mais alta.





MAis um excelente tópico.
Muitas vezes a preocupação em ter um bonsai “pronto” é tanta que se esquece da proporção. Bonsai é uma arte, e como tal, deve ser tratada. Não é simples plantinhas em potes.
Parabéns Rock!