Nebari

Quando observamos as árvores muito velhas na natureza é marcante a região da junção das raízes com o tronco. Passam uma sensação de força e segurança e as raízes dispostas em torno do tronco de forma radial e equilibradas, são resultado de muitos anos de desenvolvimento.

Não é a toa que essa parte marcante e impressionante é tão valorizada para o Bonsai. Além de reproduzir características naturais de árvores milenares, no bonsai é a região mais exposta e em evidência, tanto nas tropicais quanto nas de folha de caduca e o chamamos de “nebari”. A foto acima é de um Ficus Retusa centenário.

Observem a conicidade dessa árvore… Incrível!

Nesta foto, Frisioni na Itália, sentado em uma oliveira milenar.
Com exceção dos juníperus o Nebari (junção das raízes com o tronco) é fundamental e a parte mais importante do bonsai. É comum nós ocidentais nos preocuparmos mais com a parte aérea da planta e o deixamos em segundo plano ou nem nos preocupamos com ele, que junto com o Tachiagari ( primeiro terço inferior do tronco) formam a parte mais relevante e marcante em um bonsai.

Em uma exposição, o Nebari e o Tachiagari são determinantes na escolha dos primeiros colocados e juntos podem corresponder à mais da metade da pontuação. Acima um Ficus premiado na Exposição Nacional de Taiwan.

A mesma atenção e cuidados que dispensamos aos galhos e copa do bonsai, é importante que seja dispensada em dobro ao nebari. E são, às vezes, pequenas e simples intervenções, como poda de raízes que saem mais altas que outras, descruzar raízes que se cruzam, cortar as mais fortes e dar força para as mais fracas, entre outras, que fazem toda a diferença. Observem o equilíbrio das raízes nesse detalhe de uma Sargeretia.

Melhor que palavras essas imagens explicam bem qual é a importância do nebari na apresentação e valorização de um bonsai. Mas tentando descrever o que seria um nebari e tachiagari ideais poderíamos citar que o principal seria:
Raízes distribuidas de forma radial e equilibrada em torno do tronco, evitando-se raízes que se cruzam;
Que essas raizes saiam na mesma altura e tenham diâmetro e ramificação parecidos;
Que o tronco seja cônico e com o mínimo possível de cicatrizes ou marcas de trabalho;
Caso o tronco tenha movimento é importante que seja no tachiagari, que é a região onde ele pode sempre ser visto.
O ideal é que o tachiagari esteja sempre limpo e demonstre a testura da casca o mais natural possível.

É muito importante termos conciência de que podemos intervir no nebari da mesma maneira que o fazemos nos galhos. Podemos e devemos molda-lo, cortando, selecionando e direcionando as raízes.
E isso faz toda a diferença pois o que realmente faz com que o bonsai fique parecido com árvores milenares é o seu tronco e seu nebari. Lógico que uma bonita e bem feita copa com uma boa ramificação conta muito, mas se levarmos em conta que um nebari se leva muitos anos pra fazer e caso ele tenha algum defeito, sua correção ,nas maioria das vezes , é muito dificil ou impossível de ser feita, enquanto que podemos fazer uma correção e ramificação da parte aérea em poucos anos, ou ate mesmo de um ano pra outro, dependendo da espécie…

Organizando minhas fotos encontrei essas do Parque de Monza – Milão – Itália. Não podia deixar de posta-las nesse artigo, são de Carvalhos centenários e exemplificam bem o porque devemos nos atentar ao nebari.




Cara , Tô bolado com esta matéria e tua explanação sobre este item!
DEMAIS!!!!
Att. Luciano.